domingo, 13 de julho de 2008

COLÓNIA DO ALTO DE S. JOÃO – GATOS MUITO DOENTES, SALVOS GRAÇAS A AJUDA DE TODOS

Uma das colónias de gatos que ajudamos fica no Alto de S. João.
A maioria dos gatos vivia num quintal abandonado muito fundo, que ficava a uns 6 ou 8 metros de profundidade. A única forma de aceder ao quintal era pela parte de cima, descendo com uma escada do tipo das dos bombeiros, primeiro para um terraço e daí para o quintal.

O "Quintal-Buraco" visto de cima

A colónia não era muito grande. A maioria dos bebés provavelmente morria de coriza. Os que sobreviviam, jovens e adultos, se saltavam para outros quintais – o que era frequente - acabavam por ser mortos ou envenenados.

Viviam alguns gatos na parte de cima da colónia, mas a grande maioria estava na parte de baixo. Estes estavam todos muito doentes. Muito magros, com falta de pêlo, quase todos muito constipados. E estavam habituados a olhar para cima, porque era daí que vinha a comida – havia tabuleiros lá em baixo, presos a cordas, que eram içados para se encher de comida e voltavam a ser descidos. Nos dias de chuva não havia onde pôr comida. De uma das vezes que se desceu lá a abaixo foi posto um abrigo para remediar este problema.

No início de Abril começou-se a apanhar os gatos para serem operados e tratados. O objectivo, para além de esterilizar a colónia e melhorar a qualidade de vida dos gatos, era tirar todos os gatos do “quintal-buraco” e reintegrá-los noutras colónias já tratadas.
As condições do quintal, se houvesse acesso fácil (sem se precisar de escadas) seriam boas. Mas visto que a única maneira de lá chegar é descer pela parte de cima, não é viável viverem ali gatos, porque não é possível socorre-los quando estão doentes.

Para os apanhar teve que se descer as armadilhas com uma corda até ao “quintal-buraco”. Só duas delas serviam porque as outras eram mais sensíveis e disparavam antes de chegar lá abaixo.

Até ao momento, foram capturados treze gatos - cinco machos e oito fêmeas – e ainda três ninhadas (8 bebés ao todo), que nasceram durante as capturas, que coincidiram com a época dos temporais.

Os adultos do “quintal-buraco” vinham todos muito doentes. É provável que nunca tenham tido contacto com pessoas, porque ninguém descia ao buraco onde estavam. Em geral eram muito sossegados. Alguns permitiam festas. Muitos deles não tinham medo de pessoas porque não estavam habituados a vê-las de perto.

MATUSALÉM quando foi apanhado, muito doente e com falta de pêlo

CATAVENTO, já em casa, em tratamento


Os bebés conseguiram salvar-se todos menos um, que já estava morto quando foi encontrado. Duas gatas tiveram os bebés à chuva e não trataram deles. Foram apanhados passado pouco tempo, gelados, pensamos que não sobreviveriam. Foram tratados e agora estão todos bem. Alguns já têm dono, outros estão ainda para adopção.


MARIANA e os seus bebés, no dia em que foram capturados

MARIANA com os seus bebés e os bebés que adoptou de outra gata de colónia, já em FAT (Família de Acolhimento Temporário) e em tratamento.


Bebés da tigrada (mãe desnaturada) que ainda falta apanhar. Foram adoptados pela MARIANA poucos dias depois de nascerem. Nasceram à chuva e a mãe não lhes ligava. Pensamos que não iam sobreviver. Aqui estão eles na FAT que os salvou!

Bebés do Alto de S. João (da MARIANA e da tigrada) e outros "manos" de outras proveniências, na FAT que os salvou.



MORCELA, a bebé-milagre no dia em que foi apanhada. O irmão estava morto.

MORCELA, uns dias depois, já em casa junto da mãe e da Tia

MORCELA, agora MORGANA, com dois meses, na sua nova casa


Os gatos capturados foram todos tratados e posteriormente operados.

- Duas gatas e dois gatos da parte de cima da colónia foram soltos nesse mesmo sítio onde viviam. Têm abrigo e comida.

- Cinco gatas do “quintal-buraco” (PRETA, MISS TAKE, MARIANA, MAFALDA, TIA) foram integradas numa outra colónia já tratada.
- Dois gatos com coriza crónica (o SERAFIM e o SANCHO) foram viver para uma quinta, onde terão a possibilidade de viver em liberdade, mas também de viver dentro de casa e estão a ser tratados.
- Dois gatos (a CATAVENTO e o MATUSALÉM) estão agora no gatil 5 da União Zoófila. Estão bem e seria um perigo devolvê-los à rua devido aos problemas que têm. O MATUSALÉM por sofrer de bronquite crónica, na rua estaria constantemente a adoecer. A CATAVENTO por ter síndrome vestibular, agravada pelo facto de ter vivido a olhar para cima, do buraco (rodava a cabeça toda). Este problema dificultaria a sua sobrevivência na rua.

TIA E MISS TAKE em tratamento e aguardando OVH


TIA, numa nova colónia onde foi reintegrada


SANCHO, tigrado que vinha muito constipado

SANCHO numa FAT em tratamento

SERAFIM, gato magríssimo e muito doente quando ainda estava no "quintal-buraco"

SERAFIM a dormir de papo para o ar na sua nova casa


Falta apenas capturar uma gata tigrada na parte de cima da colónia e um gato do “quintal-buraco”.

Esta é uma das colónias que este blog vai ajudar através da venda de peças. A ajuda que puderem dar a estes gatos reverte para as esterilizações e castrações, medicamentos e para despesas veterinárias.

MUITO OBRIGADA A TODOS OS QUE AJUDARAM E ESTÃO A AJUDAR ESTA COLÓNIA!
SEM AS AJUDAS NÃO TERIA SIDO POSSIVEL AJUDAR TÃO RAPIDAMENTE ESTES GATOS TÃO DOENTES …


Podem seguir a história da colónia (mais detalhada) em http://www.felinus.org/forum/viewtopic.php?t=8264&start=0

1 comentário:

Inês disse...

Os meus parabéns pelo excelente trabalho! Fiquei emocionada de ver como os bichanos estão bem depois que foram retirados do buraco!